O nitrogênio é o nutriente que mais influencia a produtividade do milho. Cada quilograma de N bem aplicado pode resultar em 20 a 30 kg de grãos a mais por hectare. Mas é também o nutriente que mais se perde — por volatilização, lixiviação e desnitrificação — quando aplicado de forma errada.
Este artigo apresenta o protocolo técnico de adubação nitrogenada no milho, com base nas recomendações do IAC, Embrapa Milho e Soja e pesquisas de campo realizadas no Brasil Central.
Quanto de nitrogênio o milho precisa
A demanda de nitrogênio do milho varia com a produtividade esperada:
- Produtividade de 6 t/ha: 100 a 120 kg de N/ha
- Produtividade de 9 t/ha: 140 a 170 kg de N/ha
- Produtividade de 12 t/ha: 180 a 220 kg de N/ha
Desse total, parte é suprida pelo próprio solo (mineralização da matéria orgânica). Em solos com alto teor de matéria orgânica (> 3%), subtrair 20 a 30 kg de N/ha da dose calculada.
Como parcelar a adubação
O nitrogênio deve ser parcelado em pelo menos duas aplicações — nunca tudo de uma vez:
- Plantio (sulco): 20 a 30 kg de N/ha como adubação de arranque. Nessa fase o milho ainda tem sistema radicular pequeno e não consegue absorver doses maiores. Fontes recomendadas: MAP, DAP ou uréia em dose baixa.
- Cobertura 1 (V4-V6): 50 a 60% da dose total. Esta é a aplicação mais importante — o milho está em crescimento vegetativo acelerado e a demanda é máxima.
- Cobertura 2 (V8-V10): 20 a 30% restantes. Opcional mas recomendada para altas produtividades. Nessa fase o milho ainda acumula N para o enchimento dos grãos.
Qual fonte de nitrogênio usar
Ureia (45% de N)
A fonte mais barata por quilograma de N. O problema é a volatilização — em condições de alta temperatura, baixa umidade e pH alcalino, pode perder de 20 a 40% do N aplicado. Para minimizar a perda:
- Incorpore ao solo imediatamente após a aplicação
- Aplique com previsão de chuva nas próximas 24 a 48 horas
- Evite aplicar quando temperatura do solo > 30°C
- Use ureia com NBPT (inibidor de urease) em situações de maior risco
Sulfato de amônio (21% de N + 24% de S)
Menor risco de volatilização que a ureia. Fornece enxofre — micronutriente que frequentemente limita a produtividade em solos arenosos. Custo mais alto por kg de N, mas recomendado em solos deficientes em enxofre.
Nitrato de amônio (33% de N)
Baixíssima volatilização. Parte do N está na forma de nitrato (absorção imediata) e parte na forma amoniacal. Custo mais alto, mas maior eficiência em condições adversas.
Ureia revestida (liberação lenta)
Permite aplicação de dose única com liberação gradual. Reduz risco de perda e pode substituir as duas coberturas por uma aplicação só. Custo 30 a 50% maior que a ureia convencional, mas pode compensar em lavouras de alta tecnologia.
Sintomas de deficiência de nitrogênio
Reconhecer a deficiência no campo é importante para corrigir em tempo:
- Amarelecimento que começa pela ponta das folhas mais velhas e avança em "V" em direção à base
- Plantas com crescimento reduzido e coloração verde-amarelada geral
- Espigas menores e com menos grãos
A deficiência identificada até V8 ainda pode ser corrigida com aplicação de cobertura. Após V10, a correção tem eficiência reduzida.
O erro mais caro: aplicar N no solo seco
A principal causa de perda de nitrogênio na cobertura é a aplicação em solo seco sem previsão de chuva. A ureia aplicada e não incorporada volatiliza rapidamente sob sol e vento.
Se o solo está seco e não há previsão de chuva em 48 horas, três opções:
- Aguardar a chuva antes de aplicar
- Usar fertilizante com inibidor de urease (NBPT)
- Usar nitrato de amônio, que tem menor volatilização
Nitrogênio bem aplicado é lucro. Nitrogênio mal aplicado é fumaça. Entender essa diferença vale dezenas de sacas por hectare.