O nitrogênio (N) é o nutriente que mais impacta a produtividade do milho e também o mais mal manejado. Aplicado cedo demais, é lixiviado pelas chuvas. Aplicado tarde demais, não chega à planta no momento de maior demanda. A Embrapa Milho e Sorgo estima que o milho exporta aproximadamente 16 kg de N por tonelada de grãos produzidos. Para uma lavoura com produtividade esperada de 120 sacas por hectare, a demanda total de N é de aproximadamente 115 kg/ha.

Doses recomendadas conforme produtividade esperada

Produtividade esperadaDose total N (kg/ha)No plantioCobertura (V4-V6)
60–80 sc/ha60–8020–30 kg40–60 kg
80–120 sc/ha90–13030–40 kg60–90 kg
120–160 sc/ha140–18040–50 kg100–130 kg
Acima de 160 sc/ha180–22050–60 kg130–160 kg

O momento crítico: quando aplicar a cobertura nitrogenada

A aplicação de N em cobertura deve ser feita quando o milho atingir o estágio V4 a V6 (4 a 6 folhas completamente expandidas). Nesse estágio, o sistema radicular já está bem estabelecido, mas a planta ainda não iniciou a diferenciação do número de grãos — que ocorre em V8 a V10. Aplicar N depois de V8 significa que o número potencial de grãos por espiga já está definido e o N apenas complementa o enchimento.

Fontes nitrogenadas — qual escolher

  • Ureia (45% N): mais barata por kg de N. Risco de volatilização de amônia quando aplicada na superfície sem incorporação. Aplicar com solo úmido ou chuva prevista em 24h. Perdas podem chegar a 30% em dias quentes e secos.
  • Ureia + NBPT (inibidor de urease): reduz as perdas por volatilização em 40 a 60%. Custo maior, justificado em condições desfavoráveis.
  • Sulfato de amônio (21% N + 24% S): N na forma amoniacal — menor volatilização. Fornece enxofre, frequentemente deficiente em solos com baixa matéria orgânica.

Milho em plantio direto — ajustes no manejo do N

Em sistemas com alta palhada (braquiária, milho, sorgo), a imobilização microbiana do N pode ser significativa nos primeiros 30 a 45 dias. A decomposição da palhada consome N do solo, competindo com a planta jovem. Para minimizar o problema: aplicar dose complementar de N no plantio (20 a 30 kg/ha) e não atrasar a cobertura esperando a decomposição total da palhada.

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O papel do enxofre junto com o nitrogênio

O enxofre é cofator essencial na síntese de proteínas e na atividade das enzimas que assimilam o N. A relação N:S adequada no milho é de aproximadamente 10:1. A aplicação de 15 a 25 kg de S/ha junto com a cobertura nitrogenada frequentemente aumenta a eficiência de uso do N em 10 a 15%.

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Sou Joelto Vieira, Engenheiro Agrônomo. Consultoria técnica, análise de solo, recomendação de adubação, projetos Pronaf, laudos e receituário agronômico.

Referências

  • EMBRAPA MILHO E SORGO. Cultivo do Milho — Adubação nitrogenada. Sete Lagoas, 2022.
  • COELHO, A.M. et al. Adubação nitrogenada do milho no Cerrado. Circular Técnica Embrapa, 2006.