A adubação é uma das etapas mais importantes para alcançar boas produtividades no campo. Entretanto, aplicar fertilizantes sem planejamento pode aumentar os custos e, em alguns casos, até prejudicar o desenvolvimento das plantas.
Um dos principais problemas é acreditar que quanto mais fertilizante, maior será a produtividade. Na realidade, a planta precisa de nutrientes em quantidades adequadas e equilibradas, de acordo com a cultura, o solo e a expectativa de produção.
Neste artigo, você vai conhecer os principais erros na adubação e como evitá-los.
1. Não fazer análise de solo
Um dos erros mais comuns é iniciar a adubação sem conhecer as condições do solo.
A análise permite avaliar características como:
- pH;
- fósforo (P);
- potássio (K);
- cálcio (Ca);
- magnésio (Mg);
- matéria orgânica;
- capacidade de troca de cátions (CTC);
- saturação por bases (V%);
- alumínio (Al).
Sem essas informações, o produtor pode aplicar nutrientes que já estão disponíveis em quantidade suficiente ou deixar de fornecer um nutriente que realmente está limitando a produtividade.
Boa prática: faça a análise de solo antes de definir o programa de adubação e siga uma recomendação técnica adequada à cultura.
2. Aplicar fertilizante sem considerar a necessidade da cultura
Cada cultura possui diferentes exigências nutricionais.
Milho, soja, café, melancia, tomate, morango e hortaliças, por exemplo, possuem necessidades diferentes de nutrientes e também apresentam diferentes exigências durante o ciclo.
Por isso, uma fórmula que funciona bem para uma cultura pode não ser adequada para outra.
A recomendação deve considerar:
cultura + produtividade esperada + análise do solo + histórico da área + sistema de cultivo.
3. Acreditar que "mais adubo é melhor"
Esse é um dos erros que mais podem aumentar o custo da produção.
O excesso de determinados nutrientes pode causar desequilíbrios nutricionais, aumentar a salinidade do solo ou dificultar a absorção de outros elementos.
Além disso, o excesso de nitrogênio, por exemplo, pode favorecer crescimento vegetativo excessivo em determinadas situações, sem necessariamente resultar em maior produtividade.
O objetivo deve ser fornecer a quantidade adequada, e não simplesmente aumentar a dose.
4. Ignorar a disponibilidade de água
Nutrientes precisam estar disponíveis na solução do solo para que as raízes possam absorvê-los.
Quando existe deficiência de água, a absorção e o transporte de nutrientes podem ser prejudicados.
Por outro lado, excesso de água pode reduzir a disponibilidade de oxigênio no solo e comprometer o desenvolvimento das raízes.
Por isso, nutrição e manejo da água devem ser planejados em conjunto.
5. Aplicar todos os nutrientes de uma única vez
Dependendo da cultura e do fertilizante utilizado, parcelar a adubação pode melhorar o aproveitamento dos nutrientes.
Isso é especialmente importante para nutrientes que apresentam maior risco de perdas ou que são demandados em diferentes fases do ciclo.
O parcelamento deve considerar:
- cultura;
- estádio de desenvolvimento;
- tipo de solo;
- fonte utilizada;
- sistema de irrigação;
- condições climáticas.
Não existe uma quantidade fixa de parcelamentos que funcione para todas as culturas.
6. Não considerar a fase de desenvolvimento da planta
A necessidade nutricional da planta muda ao longo do ciclo.
Uma cultura pode apresentar maior demanda por determinados nutrientes durante o crescimento vegetativo, enquanto outros períodos podem exigir maior atenção à nutrição relacionada à formação de flores, frutos, grãos ou estruturas de armazenamento.
Por isso, o planejamento nutricional deve acompanhar o desenvolvimento da cultura.
7. Escolher a fonte de fertilizante apenas pelo preço
O fertilizante mais barato por saco nem sempre representa o menor custo por unidade de nutriente aproveitável.
Na escolha da fonte, é importante avaliar:
- concentração dos nutrientes;
- solubilidade;
- características do solo;
- eficiência agronômica;
- forma de aplicação;
- necessidade da cultura;
- custo por unidade de nutriente.
O produtor deve comparar o custo por nutriente fornecido, e não apenas o preço da embalagem.
⚖️ 8. Esquecer o equilíbrio entre os nutrientes
As plantas precisam de diversos nutrientes para completar seu ciclo.
Nitrogênio, fósforo e potássio são muito conhecidos, mas cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes também podem ser importantes.
Um nutriente pode estar presente no solo e, mesmo assim, sua disponibilidade para a planta ser limitada por condições químicas ou por interações com outros nutrientes.
Por isso, a adubação deve buscar equilíbrio nutricional, e não apenas fornecer grandes quantidades de NPK.
9. Não considerar as condições climáticas
O momento da aplicação também pode influenciar a eficiência da adubação.
Aplicações realizadas antes de chuvas muito intensas podem aumentar o risco de perdas de nutrientes em determinadas condições.
Da mesma forma, aplicar determinados fertilizantes sobre solo extremamente seco pode reduzir a eficiência do manejo até que exista umidade adequada.
O planejamento deve considerar a previsão climática, o tipo de fertilizante e as características do solo.
10. Não acompanhar a lavoura depois da adubação
A adubação não deve terminar no momento em que o fertilizante é aplicado.
É importante observar a resposta das plantas e acompanhar:
- crescimento;
- coloração das folhas;
- desenvolvimento das raízes;
- florescimento;
- formação de frutos ou grãos;
- produtividade;
- ocorrência de sintomas de deficiência ou excesso.
Quando necessário, análises foliares e outras ferramentas de diagnóstico podem complementar a avaliação.
11. Não calcular o custo da adubação
Outro erro é avaliar a adubação apenas pela quantidade de sacos utilizados.
O produtor deve saber quanto está gastando por hectare e quanto esse investimento representa no custo total da produção.
Uma forma simples de acompanhar é:
Custo da adubação por hectare = quantidade de fertilizante × preço por kg
Também é interessante calcular o custo por unidade de nutriente.
Por exemplo, se um fertilizante contém 20% de nitrogênio, cada 100 kg do produto fornece 20 kg de N.
Essa comparação facilita a escolha entre diferentes fontes.
12. Copiar a recomendação de outra propriedade
Uma recomendação que funcionou em uma fazenda não necessariamente será adequada em outra.
Diferenças no solo, clima, cultivar, produtividade esperada, manejo, irrigação e histórico da área podem alterar completamente a necessidade nutricional.
Por isso, recomendações devem ser adaptadas à realidade de cada área.
Como evitar erros na adubação?
Um bom planejamento pode seguir algumas etapas básicas:
- Faça a análise de solo.
- Defina a cultura e a produtividade esperada.
- Utilize uma recomendação técnica adequada.
- Escolha fontes de fertilizantes compatíveis com a necessidade da cultura.
- Defina as épocas e formas de aplicação.
- Considere irrigação e condições climáticas.
- Monitore o desenvolvimento das plantas.
- Registre os custos e os resultados obtidos.
- Faça ajustes nas próximas safras com base nos resultados.
Adubação eficiente não significa usar mais fertilizante
O objetivo de uma boa estratégia nutricional é aumentar a eficiência do uso dos nutrientes.
Aplicar uma quantidade excessiva pode aumentar o custo e não necessariamente aumentar a produtividade. Da mesma forma, economizar demais e deixar um nutriente limitante pode reduzir o potencial produtivo da lavoura.
O melhor resultado ocorre quando a quantidade e a fonte de nutrientes são ajustadas às necessidades da cultura e às características do solo.
Conclusão
Os erros na adubação podem representar uma parcela significativa dos custos de produção e ainda limitar o potencial produtivo das lavouras.
Entre os principais problemas estão a falta de análise de solo, aplicação excessiva de fertilizantes, escolha inadequada das fontes, falta de parcelamento quando necessário e ausência de acompanhamento da lavoura.
Uma adubação bem planejada começa antes da compra do fertilizante. Conhecer o solo, entender a necessidade da cultura e acompanhar os resultados são passos fundamentais para produzir mais utilizando os nutrientes de maneira eficiente.
Antes de aumentar a dose de fertilizante, procure entender qual é o verdadeiro fator que está limitando a produtividade da lavoura.
