A lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga do milho no Brasil e uma das mais destrutivas da agricultura tropical. Em altas populações, pode causar perdas de até 34% na produção. O problema é que muitos produtores aplicam defensivo no momento errado — quando a lagarta já está grande e protegida no interior do cartucho — e desperdiçam produto e dinheiro.
Como identificar
A lagarta do cartucho tem coloração que varia do verde ao marrom escuro, com uma característica marcante: três listras amarelas na parte dorsal e um Y invertido na cabeça. Os adultos são mariposas cinzas que fazem a postura em grupos de 150 a 200 ovos cobertos por escamas.
Os sintomas de ataque variam conforme o estágio da cultura:
- Estágios iniciais (V1 a V3): Perfurações e raspagens nas folhas jovens. As lagartas ainda são pequenas e vulneráveis.
- Estágios médios (V4 a V8): Folhas destruídas dentro do cartucho, com serragem (fezes) acumulada. Este é o estágio mais crítico para o controle.
- Pós-cartucho: A lagarta pode atacar a espiga, causando danos na palha e nos grãos.
Quando controlar — o nível de dano econômico
O controle é recomendado quando:
- Mais de 20% das plantas apresentam lagartas vivas no cartucho, nos estágios V1 a V8
- Presença de lagartas com mais de 1,5 cm (lagartas grandes respondem menos ao controle)
- Presença de 2 ou mais lagartas pequenas por planta
Importante: Lagartas com mais de 4 cm estão próximas da pupação e o controle não é mais eficiente. Neste caso, aguarde a próxima geração.
Produtos registrados e estratégia de controle
Os inseticidas mais eficientes para lagarta do cartucho, em ordem de eficiência quando as lagartas estão pequenas:
- Chlorantraniliprole (Diamida): Excelente efeito residual, age por ingestão. Funciona mesmo em lagartas maiores.
- Spinetoram e Espinosade: Origem biológica, aceitos em produção integrada. Boa eficiência em lagartas pequenas.
- Metomil: Rápida ação de derrube, mas sem residual. Use em infestações altas com lagartas pequenas.
- Bacillus thuringiensis (Bt): Controle biológico. Eficiente apenas em lagartas pequenas (até 1 cm). Exige boa cobertura.
A importância do horário de aplicação
A lagarta do cartucho é mais ativa no período noturno e nas primeiras horas da manhã. Aplicações realizadas no final da tarde ou início da noite aumentam significativamente a eficiência do controle, pois a lagarta está exposta e se alimentando.
Aplicações no meio do dia, quando a lagarta está protegida no cartucho e a temperatura é alta (evaporação do produto), têm eficiência muito menor.
Controle biológico
A utilização de fungos entomopatogênicos como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, disponíveis como bioinsumos comerciais, tem ganhado espaço como complemento ao controle químico. Funcionam melhor em condições de alta umidade e temperaturas amenas.
Vespas parasitoides naturalmente presentes na área também controlam ovos e lagartas jovens — mais uma razão para não aplicar inseticida desnecessariamente e preservar esses aliados.
Está com lagarta no milho e não sabe o tamanho da infestação? Me manda uma foto nos comentários e ajudo a identificar o estágio.