O custo com defensivos no milho representa de 15 a 25% do custo total de produção. Uma parte significativa desse custo é desnecessária — produto aplicado na hora errada, para praga que ainda não estava em nível de dano econômico, ou sem identificar corretamente qual inseto estava atacando a lavoura.
As principais pragas do milho no Brasil
Lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda)
A principal praga do milho no Brasil. Pode causar perdas de 15 a 34% quando não controlada. Ataca o cartucho (parte central da planta) nas fases iniciais e pode atacar a espiga depois.
Como identificar: folhas com perfurações e raspagens, serragem (fezes) acumulada no cartucho, lagartas com Y invertido na cabeça.
Nível de ação: controle quando mais de 20% das plantas têm lagartas vivas no cartucho, ou 2+ lagartas por planta.
Produtos eficientes: chlorantraniliprole (diamida), spinetoram, espinosade. Bt (Bacillus thuringiensis) para lagartas pequenas.
Cigarrinha do milho (Dalbulus maidis)
Transmite o espiroplasma e o vírus do enfezamento — doenças sem cura que podem destruir lavouras inteiras, especialmente as de segunda safra plantadas fora da época recomendada.
Como evitar: plantio dentro da janela recomendada pelo ZARC, eliminação de plantas de milho voluntárias (tigueras), monitoramento com cartões amarelos.
Spodoptera cosmioides (lagarta da folha)
Confundida frequentemente com a lagarta do cartucho. Ataca principalmente as folhas externas e raramente penetra no cartucho. O controle pode ser diferente.
Como fazer o monitoramento correto
Caminhe pela lavoura em zigue-zague. A cada 50 metros, inspecione 5 plantas. Avalie:
- Presença e tamanho das lagartas
- Porcentagem de plantas atacadas
- Presença de inimigos naturais (vespas, aranhas, fungos entomopatogênicos)
Registre os dados. Só aplique quando o nível de ação for atingido.
O horário certo de aplicação faz diferença
A lagarta do cartucho é noturna — fica dentro do cartucho durante o dia. Aplicações no meio do dia têm eficiência 30 a 40% menor que aplicações feitas no final da tarde ou início da noite, quando as lagartas estão ativas e expostas.
Economia real com monitoramento
Produtor sem monitoramento: faz em média 3 a 4 aplicações de inseticida por safra de forma preventiva.
Produtor com MIP: faz 1 a 2 aplicações no momento certo, com produto específico.
Diferença: 2 aplicações a menos × R$ 80 a R$ 150/ha por aplicação = R$ 160 a R$ 300/ha economizados sem perda de produtividade.
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