Soja e café encontram sustentação, enquanto milho e trigo enfrentam pressão no mercado internacional. Cenário exige atenção dos produtores brasileiros às oportunidades de comercialização.

O mercado de commodities agrícolas segue movimentado em agosto de 2026, com os preços sendo influenciados principalmente pelo comportamento do dólar, pelas condições climáticas, pela demanda internacional e pelas perspectivas para as próximas safras.

No Brasil, soja e café estão entre os destaques positivos, enquanto milho e trigo apresentam um cenário mais pressionado. Dados recentes do mercado mostram que café e soja registraram valorização em julho, enquanto açúcar e etanol tiveram desempenho mais fraco.

Soja mantém força com demanda internacional

A soja continua recebendo suporte da demanda externa. As exportações brasileiras de soja, milho e farelo permanecem fortes em agosto, com projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indicando embarques superiores a 19 milhões de toneladas no período. A China continua como um dos principais destinos da soja brasileira.

Apesar disso, o mercado internacional permanece sensível às expectativas de produção dos Estados Unidos e às condições climáticas durante o desenvolvimento da safra norte-americana.

Para o produtor brasileiro, o cenário reforça a importância de acompanhar simultaneamente Chicago, dólar, prêmio de exportação e mercado físico regional.

Café continua no radar dos investidores

O café permanece entre as commodities agrícolas de maior atenção no mercado.

O cenário climático e as perspectivas para a próxima safra continuam influenciando as cotações internacionais. Nas últimas semanas, o mercado de café apresentou movimentos expressivos, com os investidores atentos às condições climáticas e às projeções de oferta mundial.

No mercado brasileiro, o café arábica apresentou valorização recentemente, enquanto o robusta teve comportamento diferente, mostrando que os fundamentos podem variar entre os diferentes tipos de café.

Milho enfrenta pressão de oferta

O milho apresenta um cenário mais equilibrado entre oferta e demanda.

As condições das safras norte-americanas e as expectativas de produção mundial ajudam a limitar altas mais expressivas. Em sessões recentes, milho e soja chegaram a registrar queda na Bolsa de Chicago, mostrando a volatilidade do mercado internacional.

No Brasil, a produção elevada e o avanço dos embarques serão importantes para definir o comportamento dos preços nos próximos meses.

Clima pode aumentar a volatilidade

Um dos principais fatores que pode mudar o cenário das commodities é o clima.

As preocupações com o El Niño 2026/27 aumentam a atenção sobre culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar. Alterações no regime de chuvas podem modificar expectativas de produtividade e provocar mudanças rápidas nas cotações.

O trigo também está sendo afetado pelas preocupações climáticas. A estimativa para a produção brasileira foi reduzida, enquanto a produção nacional de grãos como soja e milho continua apresentando perspectivas positivas.

Dólar continua sendo um fator importante

Além dos fundamentos agrícolas, o câmbio tem grande influência sobre os preços recebidos pelos produtores brasileiros.

Em 14 de agosto, o dólar comercial fechou próximo de R$ 5,22, em meio a um ambiente de maior incerteza nos mercados financeiros e saída de capital estrangeiro.

Um dólar mais valorizado tende a aumentar a competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional e pode dar suporte aos preços internos, embora também encareça diversos insumos importados utilizados na produção agrícola.

O que o produtor deve acompanhar?

Para os próximos meses, alguns indicadores serão fundamentais:

  • Cotação do dólar;
  • Bolsa de Chicago (CBOT);
  • Clima nos Estados Unidos e no Brasil;
  • Exportações brasileiras;
  • Demanda da China;
  • Preços do petróleo;
  • Custos dos fertilizantes e defensivos;
  • Prêmios de exportação;
  • Estoques mundiais;
  • Perspectivas para a safra 2026/27.

Perspectiva

O mercado de commodities deve continuar apresentando volatilidade elevada. A combinação entre clima, câmbio, demanda internacional, produção e questões geopolíticas pode provocar movimentos rápidos nos preços.

Para o produtor, o momento exige planejamento. Em vez de depender exclusivamente da expectativa de alta ou queda, acompanhar os custos de produção e trabalhar com diferentes estratégias de comercialização pode ajudar a reduzir riscos.

No mercado de commodities, informação e planejamento continuam sendo ferramentas tão importantes quanto produtividade dentro da propriedade.