A colheita do milho safrinha 2026 está praticamente concluída nas regiões norte do Brasil, com avanço de quase 90% nas principais áreas produtoras em setembro de 2026, segundo dados do mercado de grãos. O volume colhido reforça o fluxo de exportação brasileiro e, junto com o avanço da colheita de milho da Argentina (88% concluída em setembro), pressiona os preços internacionais para baixo.
O contrato de milho com vencimento em setembro na B3 fechou em torno de R$ 72 por saca no final de agosto, com a safra abundante limitando movimentos mais expressivos de alta apesar da demanda crescente das usinas de etanol.
O Brasil e a Argentina como motor das exportações globais
Brasil e Argentina consolidaram em 2026 sua posição como o principal motor das exportações mundiais de grãos. A combinação de colheitas expressivas nos dois países criou, segundo análise publicada em setembro de 2026, uma situação em que a abundância da oferta sul-americana é o principal fator de pressão baixista sobre soja, milho e trigo nos mercados globais — mesmo diante de incertezas climáticas no hemisfério norte.
Etanol de milho: o novo piso de preço interno
A grande mudança estrutural no mercado de milho brasileiro em 2026 é a consolidação do etanol de milho como demanda interna permanente e crescente. As usinas de etanol de milho — concentradas no Cerrado e em expansão para o MATOPIBA — devem consumir 28,5 milhões de toneladas de milho em 2026, criando um piso de preço interno que reduz a volatilidade historicamente associada ao grão.
| Indicador | Valor (set/2026) |
|---|---|
| Milho B3 — contrato set/2026 | R$ 72/saca 60kg |
| Milho CEPEA São Paulo | R$ 70,96/saca |
| Produção milho 2ª safra 2026 | 110,46 mi toneladas |
| Avanço colheita Brasil (norte) | ~90% (set/2026) |
| Demanda interna etanol de milho | 28,5 mi toneladas |
Perspectivas para a safra 2026/27
O cenário para o milho na safra 2026/27 apresenta elementos contraditórios. Por um lado, a demanda das usinas de etanol segue crescendo e sustenta os preços internos. Por outro, o El Niño previsto para ganhar força a partir de outubro pode atrasar o plantio da safrinha no Centro-Oeste e reduzir a produtividade das regiões mais expostas ao déficit hídrico.
A BrasilAgro, ao divulgar seu planejamento para 2026/27, optou por aumentar a área de milho em 7% — um sinal claro de que o mercado de etanol de milho oferece mais segurança de preço que a soja no cenário atual.
O que fazer com o milho em estoque
Produtores que ainda têm milho da safra 2026 em armazém enfrentam uma decisão difícil: vender agora com preços pressionados pela colheita abundante, ou aguardar a entressafra (março/abril de 2027) quando a oferta reduz e os preços tendem a se recuperar. O custo de armazenagem (0,5 a 0,7% ao mês sobre o valor do grão) precisa ser pesado contra a expectativa de valorização — que dependerá do El Niño e da evolução da demanda das usinas.
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Fontes
- Rio Times Online — Grains Dip as China Demand, Harvest Pressure Soy, Corn, Wheat. Set/2026.
- CEPEA/ESALQ — Indicador milho. Set/2026.
- Conab — Levantamento safras 2025/26. Nov/2025.