A produção de morango vem ganhando espaço na agricultura da Bahia, especialmente na Chapada Diamantina, onde municípios como Mucugê, Boninal, Ibicoara e Barra da Estiva apresentam condições favoráveis ao cultivo. A atividade também vem se profissionalizando com cooperativismo, estruturas de beneficiamento, produção protegida e expansão dos canais de comercialização.

🍓 A produção de morango na Bahia

Embora a Bahia não esteja entre os maiores estados produtores de morango do Brasil, a cultura apresenta forte potencial de expansão, principalmente em regiões de altitude e temperaturas mais amenas.

Na Chapada Diamantina, o cultivo ganhou importância econômica para agricultores familiares e produtores especializados. A combinação de clima, tecnologia de produção e proximidade de mercados consumidores favorece a atividade.

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Um dos principais polos está em Mucugê, onde a Coopchapada trabalha com morango e outras frutas vermelhas. A cooperativa foi criada por produtores da região e atualmente atua também no beneficiamento e comercialização.

📍 Chapada Diamantina se destaca na produção

A região vem construindo uma cadeia produtiva cada vez mais estruturada.

Em 2024, a produção ligada à Coopchapada chegou a aproximadamente 300 toneladas de morango, enquanto a expectativa para 2025 era superar 350 toneladas. Em 2026, a cooperativa já havia passado de 50 para 80 cooperados, demonstrando o crescimento do interesse pela cultura.

A produção não está limitada ao morango. A região também trabalha com:

  • 🍓 Morango;
  • 🫐 Mirtilo;
  • 🫐 Amora;
  • 🫐 Framboesa;
  • 🍈 Maracujá;
  • produtos congelados e derivados.

Essa diversificação ajuda o produtor a reduzir a dependência de uma única cultura.

🏭 Beneficiamento melhora a comercialização

Um dos grandes avanços para o setor foi a implantação da Unidade de Beneficiamento de Frutas Vermelhas em Mucugê.

A estrutura possui câmaras frigoríficas, equipamentos para beneficiamento, sistema de resfriamento, caminhão-baú e outras estruturas destinadas à conservação e comercialização das frutas.

A unidade começou a operar em 2025 e, segundo o Governo da Bahia, já contribuiu para ampliar significativamente a comercialização da produção.

Isso é importante porque o morango é uma fruta altamente perecível. Quanto menor o tempo entre colheita, resfriamento, classificação e comercialização, maior tende a ser a possibilidade de preservar qualidade e valor comercial.

💰 Quanto custa o morango na Bahia?

O preço do morango pode variar bastante de acordo com:

  • qualidade;
  • tamanho do fruto;
  • classificação;
  • embalagem;
  • volume comercializado;
  • época do ano;
  • mercado consumidor;
  • distância até o comprador;
  • oferta e demanda.

Por isso, não existe um único preço válido para toda a Bahia.

Também é importante diferenciar preço recebido pelo produtor de preço no atacado e preço pago pelo consumidor.

Na Chapada Diamantina, o produto pode ser comercializado em diferentes padrões. O sistema da agricultura familiar da Bahia registra, por exemplo, morango in natura especial e premium, além de morango congelado. A Coopchapada trabalha com variedades como Albion, San Andreas e Portola, com rastreabilidade.

📦 Como o morango é comercializado?

Uma das formas registradas para a produção da Chapada é a caixa de 1 kg, dividida em quatro bandejas de polietileno. Isso facilita a padronização, transporte e comercialização.

Para o produtor, portanto, não basta olhar apenas o preço do quilo. É necessário avaliar também quanto custa produzir, colher, classificar, embalar, refrigerar e transportar cada quilo.

📈 Mercado do morango na Chapada Diamantina

O mercado regional apresenta uma característica interessante: a produção não depende somente do consumidor local.

Em 2025, o Governo da Bahia informou que o morango produzido pela Coopchapada já alcançava outros estados, incluindo Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia e Minas Gerais, além de Salvador e outras regiões baianas.

Isso aumenta o potencial de mercado para os produtores da Chapada.

Ao mesmo tempo, exige maior cuidado com:

qualidade + embalagem + refrigeração + logística + padronização.

Quanto mais distante o mercado consumidor, maior é a importância da cadeia de frio.

🌱 Produção suspensa e tecnologia

Outra tendência importante na região é a utilização de sistemas de produção suspensa.

Em Barra da Estiva, por exemplo, produtores utilizam esse sistema buscando maior produtividade, redução do consumo de água e energia e diminuição do custo por quilo produzido.

Esse modelo pode apresentar vantagens como:

  • melhor ergonomia para o trabalhador;
  • maior controle do ambiente radicular;
  • melhor aproveitamento da fertirrigação;
  • redução do contato do fruto com o solo;
  • possibilidade de maior controle sanitário;
  • melhor aproveitamento de estruturas protegidas.

Entretanto, o investimento inicial pode ser maior, sendo necessário calcular cuidadosamente o retorno econômico.

🍓 Variedades utilizadas

Entre as variedades comercializadas pela produção organizada da Chapada estão:

Albion, San Andreas e Portola.

A própria Coopchapada destaca a San Andreas como uma variedade adaptada às condições da Chapada Diamantina, com frutos grandes e características interessantes para produção comercial.

A escolha da cultivar, entretanto, deve considerar o sistema de produção, clima, mercado desejado, qualidade dos frutos e disponibilidade de mudas.

📊 Oportunidade para o produtor

O crescimento da estrutura de comercialização abre oportunidades principalmente para pequenos e médios produtores.

Um exemplo citado pela CAR mostra um agricultor de Mucugê que chega a entregar 300 caixas por mês, com a produção comercializada pela cooperativa.

Outro ponto importante é a possibilidade de agregação de valor.

Além do morango fresco, podem existir mercados para:

  • morango congelado;
  • polpas;
  • geleias;
  • doces;
  • sucos;
  • sobremesas;
  • produtos destinados à confeitaria.

A própria Coopchapada trabalha com produtos in natura e congelados e projeta ampliar a oferta de derivados.

💵 O produtor pode ganhar dinheiro com morango?

Sim, mas preço alto não significa automaticamente lucro alto.

O morango possui elevado valor por quilo, mas também apresenta custos importantes com:

  • mudas;
  • substrato ou preparo do solo;
  • fertilizantes;
  • fertirrigação;
  • irrigação;
  • defensivos e controle biológico;
  • estruturas;
  • mão de obra;
  • embalagens;
  • classificação;
  • transporte;
  • perdas pós-colheita.

Por isso, o produtor precisa trabalhar com custo por quilo produzido.

Por exemplo, se uma propriedade produz 10.000 kg de morango e possui custo total de R$ 200.000, o custo médio seria:

R$ 200.000 ÷ 10.000 kg = R$ 20/kg.

Se o produtor conseguir comercializar esse produto por R$ 30/kg, a margem bruta seria de aproximadamente R$ 10/kg antes de considerar outros fatores financeiros e tributários.

Esse cálculo é apenas um exemplo. O custo real varia muito conforme o sistema de cultivo e a produtividade.

🔎 Perspectivas para o mercado baiano

A tendência é de crescimento da cadeia de frutas vermelhas na Chapada Diamantina.

Em 2025, a Seagri destacou que a região possui potencial para se transformar em um dos principais polos de frutas vermelhas do Brasil. A secretaria também apontou a expansão da produção e a necessidade de fortalecer parcerias entre produtores, empresas e cooperativas.

O crescimento da infraestrutura de beneficiamento pode ser um dos principais fatores para essa expansão.

Com maior capacidade de armazenamento, classificação, congelamento e distribuição, o produtor passa a ter melhores condições de acessar mercados que seriam mais difíceis de atender individualmente.

📌 Conclusão

O morango da Chapada Diamantina está deixando de ser apenas uma produção regional e começa a ganhar maior importância dentro da cadeia de frutas vermelhas da Bahia.

Mucugê aparece como um dos principais centros dessa expansão, com cooperativismo, beneficiamento e acesso a mercados de outros estados. Barra da Estiva também apresenta produção tecnificada e uso de sistemas de cultivo suspenso.

Para quem pretende investir na cultura, os principais pontos de atenção são produtividade, qualidade, custo por quilo, logística, conservação pós-colheita e garantia de mercado.

A grande oportunidade está justamente na combinação entre produção de qualidade + organização dos produtores + beneficiamento + acesso a mercados maiores.

Importante: preços de morango mudam rapidamente conforme região, semana, qualidade e canal de venda. Portanto, antes de tomar uma decisão de plantio, o produtor deve consultar a cotação e os compradores disponíveis no período.