O cafeeiro arábica (Coffea arabica) é uma das espécies cultivadas com maior exigência em nutrientes minerais. Para produzir uma saca de 60 kg de café beneficiado, a planta extrai do solo aproximadamente 2,5 kg de nitrogênio, 0,3 kg de fósforo, 3,5 kg de potássio, 1,2 kg de cálcio e 0,4 kg de magnésio (MARTINEZ et al., 2003). Multiplicando isso por dezenas ou centenas de sacas por hectare, compreende-se por que a adubação representa 30 a 45% do custo de produção.
Macronutrientes — função, sintomas de deficiência e fontes
Nitrogênio (N)
Função: componente de proteínas, enzimas, clorofila e ácidos nucleicos. Essencial para o crescimento vegetativo, formação de folhas e ramos, e produção de gemas florais.
Sintoma de deficiência: clorose generalizada iniciando pelas folhas mais velhas, que progride para as mais novas em deficiências severas. Plantas com crescimento reduzido, folhas pequenas e amareladas.
Fontes e doses: ureia (45% N), sulfato de amônio (21% N + 24% S), nitrato de amônio (33% N). Parcelar em 3 a 4 aplicações de setembro a março. Dose: 80 a 250 kg N/ha/ano conforme produtividade esperada.
Fósforo (P)
Função: componente de ATP, fosfolipídios de membrana e ácidos nucleicos. Fundamental para enraizamento, floração e desenvolvimento dos frutos.
Sintoma de deficiência: coloração verde-escura ou avermelhada das folhas mais velhas (acúmulo de antocianinas). Raízes pouco desenvolvidas. Floração irregular.
Fontes e doses: superfosfato simples (18% P₂O₅ + 20% Ca + 11% S), superfosfato triplo (46% P₂O₅), MAP (52% P₂O₅ + 11% N). Aplicar no sulco de plantio e em cobertura. Dose: 30 a 130 kg P₂O₅/ha/ano.
Potássio (K)
Função: ativa mais de 60 enzimas, regula o potencial osmótico das células, controla a abertura dos estômatos e participa do transporte de fotoassimilados pelo floema. O potássio é o nutriente mais extraído pelo café — tanto pelos grãos quanto pelas folhas.
Sintoma de deficiência: clorose e necrose das margens das folhas mais velhas (escaldadura das bordas), começando pelo ápice e progredindo lateralmente. Frutos menores e de menor qualidade de bebida.
Fontes e doses: KCl (60% K₂O), sulfato de potássio (50% K₂O + 18% S — preferível onde há restrição ao cloro). Dose: 60 a 220 kg K₂O/ha/ano.
Cálcio (Ca)
Função: componente da parede celular (pectato de cálcio), segundo mensageiro em respostas a estresses, fundamental para o crescimento de raízes e pontas de ramos.
Sintoma de deficiência: necrose das gemas apicais (pontas dos ramos) e deformação das folhas jovens — a ponta da folha nova murcha e seca, ficando enrolada. Raízes curtas e escurecidas.
Fornecimento: principalmente via calagem (calcário dolomítico) e gesso agrícola (para Ca no subsolo). Manter V% acima de 60% garante Ca adequado na maioria dos solos.
Magnésio (Mg)
Função: componente central da molécula de clorofila. Ativa enzimas da fotossíntese e é mobilizável — migrando das folhas velhas para as mais jovens quando em falta.
Sintoma de deficiência: clorose internerval nas folhas mais velhas — as nervuras permanecem verdes enquanto o mesofilo amarela (padrão típico de deficiência de Mg). As folhas jovens permanecem verdes.
Fontes: calcário dolomítico (via calagem), sulfato de magnésio (via fertirrigação ou foliar). Dose: 15 a 40 kg Mg/ha/ano.
Micronutrientes críticos para o cafeeiro
Boro (B) — o mais importante dos micronutrientes
Função: essencial para a germinação do tubo polínico, fecundação dos óvulos e formação dos frutos. Participa da síntese de parede celular e do transporte de açúcares pelo floema.
Sintoma de deficiência: deformação das folhas jovens (folha-rendada), brotações com entrenós curtos, aborto floral, frutos chochos e "grão boia" aumentado. A deficiência de boro é a principal causa de floradas irregulares no café.
Aplicação: ácido bórico (17% B) ou bórax (11% B) via foliar, dose de 0,3 a 0,5% em 200 a 400 L de calda/ha. Aplicar 15 a 30 dias antes da floração esperada (agosto-setembro) e logo após a abertura das flores.
Zinco (Zn)
Função: cofator de enzimas da síntese de auxinas, fundamental para o crescimento celular e a síntese de clorofila.
Sintoma de deficiência: entrenós curtos, folhas pequenas e enroladas com clorose internerval — síndrome conhecida como "pequenez foliar" ou "roseta". Mais comum em solos arenosos e com pH elevado.
Cobre (Cu)
Função: componente de enzimas oxidativas, essencial para a fotossíntese e para a síntese de lignina.
Nota prática: lavouras que recebem aplicações regulares de calda bordalesa ou outros fungicidas cúpricos raramente apresentam deficiência de Cu — o produto fungicida supre a demanda nutricional.
Análise foliar — diagnóstico durante o ciclo
A análise foliar é o método mais preciso para detectar desequilíbrios nutricionais durante o ciclo de produção. A coleta padrão da Embrapa é feita no 3º par de folhas de ramos produtivos, de junho a julho.
| Nutriente | Deficiente | Adequado | Excessivo |
|---|---|---|---|
| N (g/kg) | <28 | 28–35 | >40 |
| P (g/kg) | <1,2 | 1,2–2,0 | >2,5 |
| K (g/kg) | <18 | 18–25 | >30 |
| Ca (g/kg) | <8 | 8–15 | >20 |
| Mg (g/kg) | <2 | 2–4 | >6 |
| B (mg/kg) | <40 | 40–80 | >100 |
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Referências bibliográficas
- MARTINEZ, H.E.P. et al. Níveis críticos de nutrientes para o cafeeiro. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.38, n.10, p.1167-1175, 2003.
- MATIELLO, J.B. et al. Cultura do café no Brasil: Novo manual de recomendações. MAPA/PROCAFÉ, Rio de Janeiro, 2016.
- EMBRAPA CAFÉ. Tecnologias para produção de café com qualidade. Brasília: Embrapa, 2021.