O mercado de café arábica vive um momento histórico em 2026. A saca de 60 kg foi negociada a R$ 1.748,44 em São Paulo no dia 2 de setembro de 2026, segundo o indicador CEPEA/ESALQ — um dos patamares mais elevados da história recente da cafeicultura brasileira. No mercado internacional, o arábica acumulou alta de mais de 30% em agosto, impulsionado por uma combinação de fatores estruturais e conjunturais.
Cotações do café arábica — setembro de 2026
| Indicador | Valor (set/2026) | Variação |
|---|---|---|
| Arábica CEPEA/ESALQ (SP) | R$ 1.748,44/saca 60kg | +1,15% no dia |
| Arábica CEPEA/ESALQ (média BR) | R$ 1.696,62/saca 60kg | -1,96% no dia |
| Conilon CEPEA/ESALQ | R$ 991,71/saca 60kg | Estável |
| NY Arábica (OIC Brazilian Naturals) | 316,80 US cents/libra | Fechamento 31/08 |
| Dólar (USD/BRL) | R$ 5,10 | -0,14% |
Por que o café está tão caro em 2026
1. Menor safra 2025 pressionando os estoques
A safra brasileira 2025 foi menor que o esperado, o que comprimiu os volumes disponíveis para exportação no primeiro semestre de 2026. A Cooxupé, maior cooperativa cafeeira do mundo, estimou que as exportações cairiam 10% em 2026, para cerca de 4,4 milhões de sacas — ante 4,9 milhões em 2025. Menos produto no mercado com demanda mantida = pressão de alta nos preços.
2. Clima e incertezas sobre a safra 2026/27
O El Niño, que deve ganhar força e persistir até fevereiro de 2027 segundo a ONU, gera incertezas sobre a safra brasileira 2026/27. As projeções da StoneX estimam produção recorde de 75,3 milhões de sacas para 2026/27, mas as condições climáticas adversas no Nordeste e Centro-Oeste mantêm o mercado em alerta.
3. Produtores retendo a venda
Com o mercado em alta, produtores brasileiros têm segurado a comercialização na expectativa de preços ainda maiores. A retenção de vendas limita a oferta disponível e amplifica os movimentos de alta.
4. Câmbio favorável ao exportador
O dólar a R$ 5,10 em setembro de 2026, combinado com os preços em alta em Nova York, resulta em receita em reais historicamente alta para o cafeicultor brasileiro. A janela atual é uma das mais favoráveis da última década.
O que esperar até o fim de 2026
Os analistas do setor apontam para três cenários possíveis:
- Cenário otimista: El Niño compromete parcialmente a floração do café em setembro/outubro, limitando a safra 2026/27 e mantendo os preços acima de R$ 1.500/saca até dezembro.
- Cenário base: Safra 2026/27 dentro das projeções de record (75 milhões de sacas), preços recuando gradualmente para R$ 1.200 a R$ 1.400 no primeiro trimestre de 2027.
- Cenário pessimista: Safra recorde confirmada com colheita antecipada, pressão de venda dos produtores e recuo dos preços para R$ 900 a R$ 1.100 no início de 2027.
O que o cafeicultor deve fazer agora
- Quem tem café para vender: vender pelo menos 50% da produção atual aproveitando os preços históricos. Não segurar tudo esperando o preço máximo.
- Quem está planejando a próxima safra: garantir os insumos agora (antes de eventual valorização pelo El Niño) e fazer contratos a termo com tradings.
- Quem quer investir: os preços atuais justificam investimento em recuperação de lavouras, irrigação e melhoramento genético — o retorno sobre o investimento é maior quando o preço está alto.
Volatilidade — o risco que o produtor precisa gerenciar
A volatilidade do café arábica em 2026 é excepcionalmente alta — 30% de alta em um único mês é um sinal de mercado instável. Isso significa que o preço pode cair na mesma velocidade. A proteção de preço via contratos futuros na B3 ou contratos a termo com tradings é o instrumento mais eficiente para garantir a margem atual.
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Fontes
- CEPEA/ESALQ — Indicador do Café Arábica. Set/2026. Disponível em: cotacaodocafe.com
- OIC — Organização Internacional do Café. Indicador de Preços, 31/08/2026.
- StoneX — Estimativa de Produção Brasil 2026/27. Mar/2026.
- Cooxupé — Relatório de Exportações 2026.