A soja rompeu a barreira dos US$ 13 por bushel em Chicago no final de agosto de 2026, impulsionada por uma combinação de fatores que inclui a disparada do trigo, novas vendas anunciadas pelo USDA e incertezas climáticas sobre a safra 2026/27. No Brasil, a saca de 60 kg variou de R$ 123,87 no Nordeste do Mato Grosso a R$ 143,40 no Norte Central Paranaense em 26 de agosto, segundo o Grão Direto.
Cotações da soja — final de agosto e início de setembro 2026
| Indicador | Valor | Data |
|---|---|---|
| Chicago (CBOT) | Acima de US$ 13/bushel | 28/08/2026 |
| Norte Central Paranaense | R$ 143,40/sc 60kg | 26/08/2026 |
| Nordeste Mato Grosso | R$ 123,87/sc 60kg | 26/08/2026 |
| Dólar USD/BRL | R$ 5,10 | 03/09/2026 |
O que está movendo o mercado de soja em 2026
El Niño — o fator climático central
O El Niño deve ganhar força e persistir até fevereiro de 2027, segundo alerta da ONU. O fenômeno tende a trazer excesso de chuvas no Sul do Brasil e períodos mais secos no Centro-Oeste, Norte e Nordeste — justamente as principais regiões produtoras de soja do país. Qualquer frustração na safra 2026/27 pode amplificar a alta dos preços.
Demanda firme — consumo interno recorde
O consumo doméstico de soja deve superar 100 milhões de toneladas pela primeira vez na história, segundo projeções da Hedgepoint. A indústria de etanol de milho, que consome soja como subproduto do processamento, responderá por aproximadamente 28,5 milhões de toneladas — criando um piso de demanda interna que reduz a dependência exclusiva das exportações.
Produção estável — sem fôlego para baixa
A estimativa da Hedgepoint indica produção brasileira de aproximadamente 181,7 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente estável em relação à temporada anterior. O crescimento limitado reflete custos elevados e menor rentabilidade para alguns produtores nas regiões de fronteira agrícola.
A safra 2026/27 — o que o produtor decide agora
Setembro é o mês decisivo para o planejamento da safra 2026/27 no Cerrado e no Nordeste brasileiro. Com os preços em alta e incertezas climáticas no radar, as decisões tomadas agora definem a rentabilidade da próxima safra.
Venda antecipada — pró e contra
Com soja a US$ 13 em Chicago e câmbio favorável, fixar preço de parte da produção futura via contratos a termo ou mercado futuro (B3) garante margem mesmo se o mercado ceder. O risco é perder uma alta adicional se o El Niño frustrar as safras do hemisfério norte.
Custo de produção 2026/27
O custo de produção médio da soja no Brasil está estimado em R$ 85 a R$ 110 por saca dependendo da região, conforme levantamentos da CONAB e da Embrapa. Com soja acima de R$ 130 em diversas praças, a margem está positiva — mas pode ser comprimida por insumos, frete e juros.
Estratégias de proteção de preço para o produtor
- Contrato a termo: vender percentual da safra a preço fixo com tradings. Simples e acessível para qualquer produtor.
- Contratos futuros na B3: hedge mais sofisticado, permite flexibilidade. Exige conta em corretora.
- NDF (Non-Deliverable Forward): proteção de câmbio para quem comercializa em dólar.
- Seguro de preço (Proagro Mais): linha do governo que complementa o seguro de produção com proteção de preço mínimo.
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Sou Joelto Vieira, Engenheiro Agrônomo. Ajudo produtores a tomar decisões técnicas baseadas no mercado: adubação eficiente, projetos Pronaf, análise de solo e consultoria completa.