O plantio da soja 2026/27 começa oficialmente nesta semana no Centro-Oeste, mas para a maioria das regiões do MATOPIBA e do Cerrado baiano, outubro ainda é o mês de menor risco segundo o ZARC. Isso significa que os produtores que ainda não concluíram a preparação têm tempo — mas não muito. Cada semana de atraso no preparo do solo pode se traduzir em atraso no plantio e, eventualmente, em perda de janela ideal.
Este artigo apresenta o passo a passo técnico que não pode faltar antes de colocar a semente no chão.
Passo 1 — Análise de solo: a base de tudo
Se você não fez análise de solo nos últimos 2 anos, é o primeiro passo obrigatório — mesmo que o plantio seja em outubro. Coletar amostras agora e enviar ao laboratório ainda dá tempo de receber os resultados e tomar decisões de calagem e adubação antes da semeadura.
Como coletar corretamente:
- Divida a área em talhões homogêneos — solo, relevo e histórico de manejo semelhantes
- Colete de 15 a 20 pontos por talhão, em zigue-zague, na profundidade de 0 a 20 cm
- Misture todas as amostras em balde limpo, retire 300 a 500g e envie ao laboratório
- Para solos com histórico de calcário em superfície, colete também de 20 a 40 cm
Passo 2 — Calagem: corrigir antes de adubar
A calagem precisa ser feita com pelo menos 30 a 60 dias de antecedência do plantio para ter efeito. Se o pH do solo estiver abaixo de 5,5 ou a saturação de bases (V%) abaixo de 50%, a calagem é prioritária.
Para soja no Cerrado, o V% alvo é 60 a 70%. A fórmula simplificada (método V%):
Onde CTC é a capacidade de troca do solo (do laudo), V2 é o alvo (60%), V1 é o atual (do laudo) e PRNT é a eficiência do calcário (na nota fiscal).
Passo 3 — Adubação de base: P e K são os pilares
A soja exporta aproximadamente 17 kg de P₂O₅ e 20 kg de K₂O por tonelada de grão produzida. Uma lavoura com expectativa de 50 sc/ha (3 toneladas) vai exportar cerca de 51 kg de P₂O₅ e 60 kg de K₂O. Toda essa quantidade precisa ser reposta pela adubação — mais a quantidade necessária para corrigir o solo se P e K estiverem baixos.
Passo 4 — Inoculação e tratamento de sementes
A inoculação com Bradyrhizobium japonicum é uma das práticas de maior retorno econômico na soja. As bactérias fixam nitrogênio atmosférico nas raízes, fornecendo de 200 a 300 kg de N/ha — dispensando a adubação nitrogenada de base na maioria das situações. O custo da inoculação é de R$ 15 a R$ 30 por hectare; o custo equivalente em ureia seria R$ 200 a R$ 400 por hectare.
O tratamento de sementes com fungicida + inseticida protege a semente e a plântula nos primeiros dias — período mais vulnerável da lavoura. Sempre use inoculante e fungicida em momentos separados (o fungicida pode reduzir a viabilidade das bactérias).
Passo 5 — Manejo de plantas daninhas na entressafra
O controle de plantas daninhas antes do plantio — especialmente buva, capim-amargoso e capim-colonião resistentes — é fundamental para não entrar na safra com o banco de sementes elevado. A dessecação de pré-plantio com glyphosate + outro mecanismo de ação é a prática mais comum, mas respeite a carência antes da semeadura.
Passo 6 — Regulagem de máquinas
A profundidade de semeadura (4 a 6 cm para a soja), o espaçamento entre linhas e a densidade de semeadura influenciam diretamente a uniformidade de emergência e o estande final. Máquinas mal reguladas desperdiçam semente e criam falhas no estande.
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Joelto Vieira — Engenheiro Agrônomo. Consultoria técnica, análise de solo, recomendação de adubação, projetos Pronaf e receituário agronômico.
💬 (77) 99823-3487Fontes técnicas
- Embrapa Soja — Tecnologias de Produção de Soja. Edição atualizada.
- MAPA — ZARC 2026/27 por município. mapa.gov.br.
- Embrapa Cerrados — Recomendações de adubação para soja no Cerrado. 2024.