O Brasil é o segundo maior produtor mundial de abacaxi, com produção distribuída por vários estados, especialmente Pará, Paraíba, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso. O abacaxi é uma das culturas mais rentáveis da fruticultura brasileira quando bem manejado — mas exige técnicas específicas que diferem bastante das culturas anuais.
A Embrapa Mandioca e Fruticultura coordena o melhoramento genético da cultura e disponibiliza as cultivares BRS Imperial e BRS Vitória por meio de parceiros licenciados. A BRS Vitória é resistente à fusariose — a principal doença da cultura — o que representa uma vantagem agronômica significativa.
Mudas — tipos e qualidade
O abacaxizeiro é propagado vegetativamente por três tipos de mudas: filhotes (brotam da base do fruto), rebentões (brotam do caule) e coroas (brotam do topo do fruto). Para plantios comerciais, os filhotes são preferíveis por produzirem plantas mais uniformes. A uniformidade das mudas em tamanho e peso é fundamental para que toda a lavoura entre em floração ao mesmo tempo.
Espaçamento e densidade
| Sistema | Espaçamento | Plantas/ha |
|---|---|---|
| Fileiras simples | 0,90m × 0,30m | 37.000 plantas/ha |
| Fileiras duplas | 0,90m × 0,40m × 0,30m | 44.000 a 55.000 plantas/ha |
Adubação — o N e o K são os mais importantes
O abacaxizeiro tem alta exigência de nitrogênio e potássio. O N influencia diretamente o tamanho e o peso do fruto; o K influencia a qualidade (teor de açúcar e acidez) e a resistência ao transporte. O fósforo tem papel menor — solos com teor médio não exigem grandes doses de P.
Uma referência geral para pomares em produção (as doses devem ser ajustadas conforme análise de solo e foliar):
- N: 8 a 10 g por planta (12 a 16 kg/ha em 40.000 plantas) — parcelado em 4 a 6 aplicações
- K₂O: 10 a 14 g por planta — parcelado junto com o N
Boro — micronutriente essencial no abacaxi
A deficiência de boro no abacaxi causa o "coração negro" — escurecimento interno do fruto que o inviabiliza para comercialização. A aplicação preventiva de boro (ácido bórico ou bórax) via foliar é prática comum nos pomares comerciais. Consulte um agrônomo para a dose adequada conforme a cultivar e o teor de B no solo.
Indução floral artificial — o coração do manejo do abacaxizeiro
Uma das práticas mais importantes e específicas do abacaxizeiro é a indução floral artificial. Sem ela, as plantas de uma mesma lavoura floresceriam em épocas diferentes ao longo de meses, tornando a colheita dispersa e ineficiente. Com a indução, toda a lavoura floresce ao mesmo tempo, permitindo colheita concentrada e planejada.
A indução é feita com etileno — o hormônio vegetal responsável pelo amadurecimento. Produtores usam acetileno (liberado da reação de carbureto de cálcio com água), etephon (produto comercial registrado) ou gás etileno comprimido. A aplicação é feita na roseta central da planta, de preferência à noite ou em dias nublados para evitar degradação rápida do produto.
O momento ideal para a indução é quando as plantas atingem peso mínimo de 1,5 a 2 kg — plantas muito pequenas não respondem bem e produzem frutos menores. O florescimento ocorre cerca de 45 a 60 dias após a indução, e a colheita, 5 a 6 meses depois.
Fusariose — a principal ameaça do abacaxizeiro
A fusariose (Fusarium guttiforme) é a principal doença do abacaxizeiro no Brasil, responsável por perdas expressivas em anos de alta pressão. O fungo causa goma nos frutos e nas mudas, com podridão interna característica. Não existe controle curativo eficiente.
A cultivar BRS Vitória da Embrapa foi desenvolvida especificamente com resistência à fusariose — o que elimina praticamente a necessidade de fungicidas para essa doença, reduzindo custos e impacto ambiental. É a principal vantagem da cultivar sobre as variedades tradicionais como Pérola e Smooth Cayenne.
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Joelto Vieira — Engenheiro Agrônomo. Consultoria, análise de solo, adubação, receituário e projetos Pronaf.
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- Embrapa Mandioca e Fruticultura — BRS Vitória e BRS Imperial. embrapa.br/web/mandioca-e-fruticultura/cultivos.
- Embrapa Mandioca e Fruticultura — Cultura do abacaxi. Sistema de Produção Embrapa.
- IBGE — Produção Agrícola Municipal (PAM). 2024.