O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de algodão em pluma, com produção concentrada no Cerrado — especialmente no Mato Grosso, que responde por mais de 60% da produção nacional. O algodão é uma cultura exigente em manejo e com alto custo de produção, mas oferece retorno expressivo quando bem conduzida.

A Embrapa Algodão (Campina Grande-PB) é o principal centro de pesquisa da cultura no Brasil. O Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) complementa as pesquisas com foco nas condições específicas do Cerrado. Este artigo reúne recomendações baseadas em publicações dessas instituições.

Destruição de soqueiras — prática obrigatória por lei

A destruição de soqueiras (restos culturais do algodão após a colheita) é obrigatória por normas regulatórias em vários estados produtores e é fundamental para o manejo fitossanitário integrado da cultura. O prazo para destruição varia por estado — no Mato Grosso, a IN do IMAmt estabelece prazos específicos após a colheita.

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O objetivo da destruição de soqueiras é:

  • Eliminar refugios de pragas como o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) — principal praga da cultura, que hiberna nos restos vegetais
  • Reduzir o inóculo de doenças fúngicas que sobrevivem nos tecidos da planta
  • Uniformizar a data de plantio na safra seguinte — reduzindo a janela de exposição às pragas

Manejo de tigueras — plantas voluntárias de algodão

As tigueras são plantas de algodão que emergem espontaneamente na área após a colheita, originadas de sementes caídas no campo. Em cultivares transgênicas RR (resistentes ao glifosato), as tigueras também podem ser resistentes ao herbicida, criando um problema de difícil controle.

O Agrolink publicou recomendações técnicas sobre o manejo de tigueras no algodoeiro (2023), incluindo:

  • Controle mecânico: mais simples e eficaz — destruição das tigueras com grade ou rolo-faca antes da emergência das novas plantas
  • Controle químico: em tigueras resistentes ao glifosato, herbicidas com mecanismo de ação diferente (inibidores de ALS, graminicidas) podem ser necessários — sempre com receituário agronômico
  • Destruição de soqueiras: a eliminação das soqueiras reduz drasticamente o banco de sementes que origina as tigueras

Adubação do algodão no Cerrado — exigências elevadas

O algodão é uma das culturas com maior demanda de nutrientes. Uma lavoura com produtividade de 300 @/ha (arroba por hectare) de algodão em caroço extrai aproximadamente:

  • N: 100 a 130 kg/ha
  • P₂O₅: 35 a 50 kg/ha
  • K₂O: 100 a 130 kg/ha

O boro e o zinco são micronutrientes especialmente importantes para o algodão. A deficiência de boro causa a "falsa semente" — sementes chochas e baixo rendimento de pluma. A aplicação foliar de boro e zinco é prática comum nos pomares do Cerrado, sempre baseada em análise foliar.

O bicudo-do-algodoeiro — a praga mais temida

O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é a praga de maior impacto econômico na cultura. A fêmea deposita ovos dentro dos botões florais e maçãs jovens — quando os danos são percebidos, as larvas já estão protegidas dentro dos órgãos reprodutivos, dificultando o controle. O MIP para o bicudo inclui:

  • Monitoramento com armadilhas contendo feromônio de agregação
  • Aplicação de inseticidas quando a infestação supera o nível de ação (varia conforme a fase fenológica)
  • Destruição de soqueiras — principal medida de controle cultural
  • Plantio concentrado (janela estreita) — reduz o período de exposição à praga

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Referências

  • Embrapa Algodão — Cultura do Algodão no Cerrado. embrapa.br. 2017.
  • Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) — Circular Técnica n.41: Destruição de soqueiras do algodoeiro. 2019.
  • Agrolink — Como manejar as tigueras no algodoeiro. 2023.
  • Cotton Brazil / AMIPA — Dados de produção do algodão brasileiro. 2025.