O feijão-caupi (Vigna unguiculata L. Walp.) — também chamado de feijão-de-corda, feijão-macassar ou feijão-fradinho, dependendo da região — é a principal leguminosa da dieta do nordestino. Além da importância cultural e alimentar, o caupi vem ganhando espaço em novos mercados: nas últimas safras, a cultura se expandiu para o Cerrado, especialmente no MATOPIBA, onde é cultivado em consórcio com a soja ou como cultura de safrinha.

A Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI) é o principal centro de pesquisa do feijão-caupi no Brasil e desenvolveu um portfólio expressivo de cultivares adaptadas a diferentes regiões e sistemas de produção.

Por que o feijão-caupi é estratégico para o Nordeste

  • Tolerância à seca: o caupi é muito mais tolerante ao deficit hídrico do que o feijão comum (Phaseolus vulgaris), o que o torna fundamental em regiões semiáridas com precipitação irregular
  • Fixação biológica de nitrogênio: o caupi nodula com bactérias do gênero Bradyrhizobium e pode fixar de 40 a 200 kg de N/ha por safra — reduzindo drasticamente a necessidade de adubação nitrogenada
  • Dupla aptidão: pode ser colhido verde (vagem e grão imaturos) para o consumo fresco ou seco para armazenamento
  • Ciclo curto: variedades precoces completam o ciclo em 60 a 75 dias — permitindo duas safras por ano em regiões com chuvas suficientes

Cultivares da Embrapa — a escolha certa faz diferença

A Embrapa Meio-Norte desenvolveu diversas cultivares de caupi adaptadas a diferentes regiões e sistemas. A Embrapa publicou análise específica sobre avanços e perspectivas para a cultura, documentando o progresso genético alcançado nos últimos anos. Algumas cultivares de destaque:

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  • BRS Tumucumaque: grão branco; alta produtividade; boa tolerância ao mosaico-severo
  • BRS Guariba: grão branco; ampla adaptação; indicada para mecanização
  • BRS Aracê: grão fradinho; porte semiereto; colheita mecânica facilitada
  • BRS Pajeú: grão sempre-verde; dupla aptidão (verde e seco)

Fixação biológica de nitrogênio — principal vantagem agronômica

A inoculação das sementes de caupi com estirpes selecionadas de Bradyrhizobium é a prática de maior retorno econômico na cultura. Com inoculação adequada em solos com baixa população das bactérias, a fixação biológica pode suprir toda a demanda de N da cultura — dispensando a adubação nitrogenada de base e de cobertura.

A Embrapa selecionou estirpes eficientes de Bradyrhizobium para o caupi, disponíveis em inoculantes comerciais registrados no MAPA. A inoculação deve ser feita no dia do plantio, protegendo as sementes inoculadas do sol e do contato direto com fungicidas e inseticidas (aplicar separadamente).

Adubação — fósforo é o nutriente mais limitante

Diferentemente do nitrogênio (suprido pela FBN), o fósforo precisa ser fornecido pela adubação na maioria dos solos tropicais. O caupi responde bem à adubação fosfatada no plantio:

  • P₂O₅: 40 a 80 kg/ha — todo no sulco de plantio, conforme teor de P no solo
  • K₂O: 20 a 40 kg/ha — conforme análise de solo
  • N: dispensável com inoculação eficiente; 20 a 30 kg/ha de N no plantio apenas em solos com baixa atividade microbiana

Manejo de pragas e doenças

As principais pragas do caupi são os pulgões (vetores de vírus), a mosca-branca, o ácaro-branco e as lagartas desfolhadoras. O manejo integrado (MIP) é recomendado — vistoria semanal e intervenção química apenas quando a infestação supera o nível de ação econômica.

As principais doenças são:

  • Mosaico-severo (vírus/pulgão): cultivares resistentes são a principal ferramenta de controle
  • Antracnose (Colletotrichum spp.): sementes tratadas e fungicidas registrados
  • Mancha-café (Colletotrichum truncatum): causa lodging (acamamento das plantas); rotação de culturas e sementes sadias

Colheita — verde ou seco

Para comercialização como vagem verde, a colheita ocorre quando as vagens ainda estão túrgidas e os grãos em desenvolvimento — geralmente 55 a 70 dias após o plantio. Para grão seco, aguarda-se a maturação completa (75 a 90 dias). A colheita mecânica é possível com cultivares de porte ereto e maturação uniforme — como as desenvolvidas pela Embrapa para o Cerrado.

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Referências

  • Embrapa — Feijão-caupi: impulsionando a produção e a produtividade de grãos na agricultura brasileira. In: Agricultura Tropical — 4 décadas de inovações. embrapa.br.
  • Embrapa Meio-Norte — Avanços e perspectivas para a cultura do feijão-caupi. Capítulo 7. alice.cnptia.embrapa.br.
  • Embrapa Arroz e Feijão — Cultivares de feijão-caupi BRS Tumucumaque, BRS Guariba, BRS Aracê, BRS Pajeú. embrapa.br.