A manga é a fruta que mais gera receita de exportação para o Brasil — e a Bahia é o coração dessa produção. O Brasil é o sexto produtor de manga do mundo e a Bahia é o principal estado produtor, respondendo por cerca de 80% da produção nacional. O Vale do São Francisco, na divisa entre Pernambuco e Bahia, é um dos mais importantes exportadores de manga do planeta — por lá, a produção não para em nenhuma época do ano.
Mas 2026 trouxe um cenário desafiador para o setor. Depois de atingir a marca histórica de US$ 315 milhões em faturamento de exportações em 2023, com volume exportado 15% maior que o ano anterior, o mercado da manga baiana enfrenta agora uma combinação de pressões que preocupam produtores e exportadores.
O tarifaço americano — o maior risco do setor
Os exportadores de manga da região do Vale do São Francisco estão apreensivos com as tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os produtores temem uma quebradeira de empresas e demissões. Os principais meses para os embarques da manga brasileira para os Estados Unidos são agosto, setembro e outubro.
O impacto é direto: estima-se que aproximadamente 200 mil pessoas trabalhem no setor de exportação de frutas do Vale do São Francisco, entre cerca de 3.200 produtores rurais, entre fazendas grandes e pequenas. Uma janela americana fechada ou encarecida representa risco real para toda essa cadeia.
Queda de preços no mercado físico
Com menor apetite estrangeiro e baixa demanda do mercado externo, a produção de mangas do Vale do São Francisco passou por crise e agricultores buscaram alternativas para minimizar o prejuízo. Os preços chegaram em um patamar historicamente baixo — as variedades Palmer e Tommy chegaram a ser comercializadas por apenas R$ 0,90/kg e R$ 0,62/kg, segundo a cotação de preços diária feita pela Seagri-BA.
Para comparação, em 2024 a variedade Palmer chegou a R$ 5,50 por quilo ao produtor — mais de seis vezes acima do piso registrado durante a crise de preços.
O que sustenta o setor
Mesmo com as pressões, o Vale do São Francisco tem vantagens estruturais: irrigação perene pelo Rio São Francisco, tecnologia de produção avançada, variedades desenvolvidas para exportação e capacidade de produzir o ano inteiro — diferencial competitivo frente à maioria dos países concorrentes.
A Europa segue como destino alternativo relevante para os produtores que dependiam dos EUA. A Tommy Exportação para a Europa teve média de R$2,43 por quilo na semana 14 de 2026, com aumento de 7% na comparação com a semana anterior — sinal de que o mercado europeu ainda absorve volume significativo da produção baiana.
Variedades e perspectivas
O Observatório do Mercado da Manga da Embrapa Semiárido, coordenado pelo pesquisador João Ricardo Ferreira de Lima, acompanha semanalmente os preços das variedades Palmer e Tommy no Vale do São Francisco. Os dados mostram que os preços da Tommy na semana 14 de 2026 foram de R$ 2,17 por quilo, abaixo da média histórica de R$ 2,53, mas acima dos preços de 2025.
🌿 Precisa de orientação técnica?
Joelto Vieira — Engenheiro Agrônomo. Consultoria online pelo WhatsApp.
💬 (77) 99823-3487Fontes
- Embrapa Semiárido — Observatório do Mercado da Manga. embrapa.br. 2026.
- Embrapa — Brasil bate recorde de receita e exportação com manga produzida no Nordeste. embrapa.br.
- Movimento Econômico — Com menor apetite estrangeiro, manga do Vale do São Francisco despenca de preço. Nov/2024.
- IstoÉ Dinheiro — Exportadores de manga do Vale do São Francisco dizem que tarifaço é desastre para a região. Jul/2025.
- Seagri-BA — Cotação de preços de manga. Set/2026.