As perdas por doenças na pecuária brasileira são estimadas em R$ 15 a R$ 20 bilhões por ano, segundo dados do MAPA. Mortalidade, queda de produtividade, perda de peso, custo de tratamento e condenação no frigorífico — os prejuízos são múltiplos e muitas vezes invisíveis no dia a dia da fazenda. Na Bahia, o clima quente e a sazonalidade hídrica criam condições favoráveis para determinadas doenças que o pecuarista precisa conhecer e prevenir.

1. Tristeza parasitária bovina (TPB) — Babesiose e Anaplasmose

A TPB é causada pelos hemoparasitas Babesia bovis, B. bigemina e Anaplasma marginale, transmitidos pelo carrapato Rhipicephalus microplus. É uma das principais causas de morte em bovinos jovens no Brasil.

Sintomas:

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  • Febre alta (acima de 40°C)
  • Anemia — mucosas pálidas ou amareladas (icterícia)
  • Urina escura (hemoglobinúria) — sinal característico da babesiose
  • Fraqueza, animal deitado, relutância a se mover

Manejo preventivo:

  • Controle estratégico do carrapato — não eliminar totalmente (estabilidade enzoótica é desejável)
  • Vacina contra TPB — disponível no Brasil, recomendada para bezerros em áreas de baixa pressão de carrapato
  • Monitorar animais importados de regiões livres de carrapato — altamente susceptíveis

2. Carbúnculo sintomático — Manqueira

Causada por Clostridium chauvoei. Afeta principalmente animais jovens (6 meses a 2 anos) em boas condições corporais — daí o nome popular "doença do boi gordo". Mata em 12 a 48 horas após o aparecimento dos sintomas.

Sintomas: crepitação (barulho de gás) ao palpar os músculos da coxa ou paleta, coxeira severa, prostração, morte súbita. O animal quase sempre é encontrado morto sem sinais prévios.

Prevenção: vacinação aos 4 a 6 meses de idade. A vacina polivalente contra clostridioses é a mais eficiente e protege contra manqueira, gangrena gasosa e botulismo.

3. Raiva dos herbívoros

Causada pelo vírus rábico, transmitido principalmente pelo morcego hematófago Desmodus rotundus. O Sertão baiano é área endêmica. Uma vez instalada, é sempre fatal — não existe tratamento.

Sintomas: alterações de comportamento, animais andando em círculos, paralisia progressiva dos membros posteriores, dificuldade de engolir, salivação excessiva.

Prevenção: vacinação anual em setembro/outubro. Controle de morcegos hematófagos (SEDAP-BA — programa oficial). Não abrir feridas de morcego sem EPI — o vírus é transmissível ao humano.

4. Botulismo

Causado pela toxina de Clostridium botulinum, produzida em carcaças em decomposição, ossos e ração contaminada. O boi ingere a toxina ao lamber ossos (osteomalácia) ou ao consumir silagem ou ração contaminada.

Sintomas: paralisia progressiva flácida, começando pelos membros posteriores. Animal não consegue se levantar mas mantém consciência. Morte por paralisia respiratória.

Prevenção: vacinação anual contra clostridioses (vacina polivalente); suplementação mineral adequada previne a "fome de osso" que leva os animais a roer carcaças; destinar carcaças corretamente (enterrar fundo ou cremar).

5. Diarreia neonatal em bezerros

Causa de mortalidade mais frequente em bezerros nos primeiros 30 dias de vida. Pode ser causada por vírus (rotavírus, coronavírus), bactérias (E. coli, Salmonella) ou protozoários (Cryptosporidium).

Fatores de risco: falha na ingestão de colostro nas primeiras 6 horas, higiene inadequada das instalações de maternidade, superlotação, estresse climático.

Prevenção: garantir colostro de qualidade (mínimo 2 litros nas primeiras 6 horas); higiene rigorosa das instalações; vacina de bezerro no leite (rotavírus/coronavírus via vacinação da vaca 60 dias antes do parto).

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