O produtor de soja brasileiro entrou em setembro de 2026 com um comportamento diferente do habitual: em vez de esperar o plantio para negociar, está antecipando vendas a um ritmo acima da média histórica. Segundo levantamento da Safras & Mercado divulgado em 4 de setembro de 2026, 29,1% da produção projetada para a safra 2026/27 já havia sido comercializada — o equivalente a 52,42 milhões de toneladas.
O número contrasta fortemente com o mesmo período da temporada anterior, quando apenas 20,2% da safra havia sido negociada. Supera também a média dos últimos cinco anos, que é de 22,7%. A aceleração foi significativa: em apenas um mês — entre 7 de agosto e 4 de setembro — os produtores avançaram 8,9 pontos percentuais nas vendas antecipadas.
Por que o produtor está vendendo agora
Quatro fatores se combinaram para motivar as vendas antecipadas neste início de setembro, segundo análise da CNN Brasil Agro:
- Chicago em alta: as cotações internacionais da soja avançaram, favorecidas pela demanda asiática aquecida e pelo risco climático na safra americana
- Preços domésticos melhores: a soja fechou a R$ 160,46 por saca no porto de Paranaguá em 9 de setembro de 2026 — nível que estimula negociações
- Exportações em ritmo recorde: entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil embarcou 89,86 milhões de toneladas de soja em grão — o maior volume já registrado para o período na série histórica
- China ativa: a demanda chinesa pela proteína vegetal brasileira segue aquecida, sustentando os preços internacionais
O El Niño como fator de incerteza e motivação para travar preços
A possibilidade de impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 voltou a concentrar as atenções do mercado no início de setembro. Segundo o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP), o cenário climático incerto é um dos principais vetores de sustentação das cotações domésticas da soja.
Para o produtor, o El Niño representa um dilema: de um lado, a incerteza climática sustenta os preços altos no presente — o que cria oportunidade de travar boas margens antes do plantio. De outro, se o El Niño de fato causar quebra de produtividade, o produtor que vendeu antecipado pode ter dificuldade de entregar o volume contratado.
A estratégia mais prudente, segundo consultores do setor, é travar entre 30% e 40% da produção esperada em contratos a termo — suficiente para garantir a margem, sem comprometer a capacidade de entrega em caso de frustração climática.
Safra 2025/26: 88,7% comercializada
A safra atual (2025/26) também avançou nas vendas: 88,7% da produção estava comercializada até 4 de setembro, ante 81,9% em 7 de agosto. A Safras & Mercado estima produção de 178,341 milhões de toneladas para 2025/26, das quais 158,163 milhões de toneladas já foram negociadas. Para 2026/27, a projeção é de 180,089 milhões de toneladas.
O que o produtor deve fazer agora
- Consultar o ZARC 2026/27: o zoneamento climático atualizado para El Niño define as janelas de menor risco de plantio por município
- Travar parte da produção: com preços acima da média histórica, fixar 30 a 40% da produção estimada reduz o risco financeiro
- Não comprometer 100%: em ano de El Niño, reservar folga para possível frustração de produtividade
- Monitorar Chicago semanalmente: o WASDE do USDA de 11 de setembro traz as primeiras projeções oficiais para 2026/27 — dado importante para decisões de comercialização
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💬 (77) 99823-3487Fontes
- Safras & Mercado — Levantamento de comercialização de soja 2026/27. Set/2026.
- CNN Brasil Agro — Melhora de preços destrava vendas antecipadas da soja 2026/27. Set/2026.
- CEPEA/Esalq-USP — El Niño e safra 2026/27 seguram preços da soja em setembro. Set/2026.
- SpaceMoney — El Niño eleva incertezas sobre safra 2026/27 e sustenta alta da soja. Set/2026.
- AgroContexto — Mercado de grãos inicia setembro com preços sustentados. Set/2026.