O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá. Segundo dados do IBGE citados pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, em 2024 o país produziu 736.585 toneladas em 47.082 hectares — e a cultura está em franca expansão tanto para produção de frutas para consumo in natura quanto para industrialização em suco, polpa e cosméticos. A Bahia é o principal estado produtor, seguida por Ceará, Minas Gerais e Espírito Santo.
A Embrapa Mandioca e Fruticultura coordena o programa de melhoramento genético do maracujazeiro no Brasil e desenvolveu cultivares de alto desempenho, incluindo o BRS Sertão Forte (Passiflora cincinnata), desenvolvido para condições semiáridas em parceria com a Embrapa Semiárido.
Espaçamento e condução
O maracujazeiro é uma trepadeira que precisa de estrutura de suporte (espaldeira). O sistema mais comum usa mourões de madeira ou concreto com arame liso a 1,80 a 2,00 m de altura.
| Sistema | Espaçamento | Plantas/ha |
|---|---|---|
| Espaldeira simples | 3m × 5m | 666 plantas/ha |
| Espaldeira dupla (T) | 3m × 4m | 833 plantas/ha |
Polinização — o fator mais limitante da produção
A polinização do maracujazeiro é um dos aspectos mais críticos e frequentemente negligenciados do manejo da cultura. A flor do maracujá exige polinização cruzada — o pólen de uma planta precisa ser transferido para outra planta diferente. Abelhas mamangavas (Xylocopa spp.) são os principais polinizadores naturais, mas em muitas regiões a população natural é insuficiente para garantir boa frutificação.
A polinização manual é praticada em pomares comerciais para garantir alta taxa de frutificação. É feita com pincel ou espátula no horário de abertura das flores (geralmente entre 12h e 16h). Cada trabalhador consegue polinizar manualmente 200 a 400 flores por hora — trabalhoso, mas com retorno comprovado em produtividade.
Irrigação — da pesquisa da Embrapa Cerrados
A Embrapa Cerrados publicou pesquisa sobre manejo da irrigação e fertirrigação com ureia na produtividade e qualidade do maracujá-doce. Os resultados mostram que o manejo correto da lâmina de irrigação influencia tanto a produtividade quanto o teor de sólidos solúveis (Brix) do suco — um parâmetro importante para a comercialização.
Principais doenças — antracnose e bacteriose
- Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides): causa lesões nos frutos, desvalorizando-os para o mercado. Controle com fungicidas registrados e manejo de umidade
- Bacteriose (Xanthomonas axonopodis): manchas oleosas nas folhas e frutos. Controle com cobre preventivo e eliminação de restos culturais
- Vírus da woodiness (PWV): causa deformação dos frutos. Controle do vetor (pulgão) e uso de mudas certificadas
O maracujazeiro BRS Sertão Forte — opção para o semiárido
A cultivar BRS Sertão Forte (Passiflora cincinnata), desenvolvida pela Embrapa Semiárido em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura, é adaptada às condições do semiárido brasileiro — tolerante à seca e ao calor. A Embrapa publicou recomendações de manuseio e armazenamento pós-colheita para os frutos dessa cultivar. É uma alternativa relevante para produtores das regiões semiáridas da Bahia e do Nordeste.
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- Embrapa Mandioca e Fruticultura — Produção de maracujá no Brasil: dados IBGE 2024. embrapa.br.
- Embrapa Cerrados — Manejo da irrigação e da fertirrigação com ureia na produtividade e qualidade do maracujá-doce. embrapa.br.
- Embrapa Semiárido / Embrapa Mandioca e Fruticultura — BRS Sertão Forte: recomendações pós-colheita. embrapa.br.
- IBGE — Produção Agrícola Municipal (PAM) 2024.